Neste dia 23 de abril, a celebração a São Jorge reúne milhares de fieis pelo país em comemorações tradicionais. A data é feriado no estado do Rio de Janeiro desde 2008 e, desde 2019, o “Santo Guerreiro” se tornou padroeiro oficial do estado. 
São Jorge é considerado padroeiro dos cavaleiros, soldados, escoteiros, esgrimistas e arqueiros. Para o catolicismo romano, religião mais numerosa no Brasil, ele representa coragem, proteção, e a ideia de que o bem derrota o mal.
Segundo o Vaticano, o santo foi morto por professar sua fé cristã diante do imperador de Roma, no ano 303.
A tradição cristã conta que ele nasceu na Capadócia, na atual Turquia, por volta do ano 280, e se tornou um soldado no exército do imperador Diocleciano, até que este ordenou uma perseguição aos cristãos.
Conhecido como mártir da Igreja Católica, as histórias sobre São Jorge são envoltas em lendas. A principal delas é a de que ele teria salvado uma princesa e matado um dragão em um pântano na Líbia.
A representação de São Jorge montado no cavalo, segurando uma lança e matando o dragão, se tornou o ícone sacro mais reconhecível relacionado a sua figura.
No Brasil, a imagem estampa camisetas, tatuagens, templos e casas de oração, em sua maioria, nas cores tradicionais vermelho e branco, ligadas à Cruz de São Jorge.
Tradição
São Jorge é um dos santos de maior apelo popular da igreja católica, além de ser cultuado também em outras religiões, como a Igreja Anglicana, e a Ortodoxa. E também marca presença no sincretismo religioso, fenômeno que ocorre quando elementos de diferentes tradições religiosas são combinados em uma única prática ou crença.
Nas religiões afro-brasileiras, umbanda e candomblé, a figura do santo é frequentemente ligada a Ogum, orixá guerreiro, senhor do ferro e das batalhas. E em algumas regiões, como o caso da Bahia, também pode ser associado a Oxóssi, orixá da caça e da fartura.
Durante a escravidão, africanos trazidos à força para o Brasil passaram a associar seus orixás a figuras católicas para manter a devoção sem ser importunados pelos escravistas cristãos, dando origem assim ao sincretismo religioso brasileiro.
No Islã a figura também aparece, sendo comumente fundido com Al-Khidr, uma figura sábia e imortal que realiza milagres e traz proteção.
Celebração
Alguns eventos marcam a celebração do Dia de São Jorge. No Rio de Janeiro, acontece, ainda no raiar do dia, a famosa “Alvorada de São Jorge”, uma queima de fogos organizada pela Igreja Matriz São Jorge em Quintino, na zona norte da cidade. Além de missas ao longo do dia.
Venerado pela cultura do samba por relações afro-religiosas, escolas de samba do estado também organizam celebrações.
Ogum é o orixá da agricultura, e o feijão é um de seus alimentos sagrados. Nas festividades de 23 de abril, é comum que espaços de religiosidade sirvam feijoada consagrada ao orixá, costume que, devido ao sincretismo religioso, se espalhou pela cidade.
Vestígio histórico
Em 1969, sob a liderança do papa Paulo VI, a festa de São Jorge saiu do calendário oficial do Vaticano, e, de festa litúrgica, passou a ser memória facultativa. O motivo seria a falta de registros históricos de peso em torno da sua figura.
Um texto publicado pela Vatican News, o portal de notícias oficial e multilíngue da Santa Sé, reconhece: “São inúmeras as narrações fantasiosas que nasceram em torno da figura de São Jorge”.
Um registro antigo, epígrafe grega do ano 368, descoberta em Eraclea de Betânia, teria uma das raras referências ao santo, ao falar da “casa ou igreja dos santos e triunfantes mártires, Jorge e companheiros”.
Acredita-se que seus restos mortais estão na Igreja de São Jorge em Lida, cidade israelense situada perto de Telavive. Já o seu crânio está conservado na igreja de São Jorge em Velabro, em Roma, por desejo do Papa Zacarias.
*Estagiária sob supervisão da jornalista Mariana Tokarnia.